Silêncio
Eu não consigo escrever no silêncio. Sinto que ele me intimida
pelo simples fato de existir. Eu não ouso incomodar o silêncio. De certa
forma, eu o admiro.
Sobre os diversos tipos de silêncio, o meu favorito é o da natureza,
que é o quase silêncio, é o sussurro das árvores incentivadas pelo
vento, do passarinho que passou por ali sem querer, das folhas secas no
chão. Do teu silêncio, tenho medo. Decifro-te conforme as orientações
que eu mesma criei. Você de algum modo tenta me dizer através do seu
silêncio, pior escolha que poderia ter feito. Eu não acredito em nada
que não seja palpável.
Quando eu decido ficar em silêncio, se preocupe. Quando eu decido
ficar em silêncio te olhando, me ocupe. Como eu posso te dizer que esse
vazio me afeta todos os dias de manhã? Eu acordo pensando quando eu
estava coberta de amor. Não me preparei para essa temporada de frio, me
abraço o mais forte possível em vão, eu tenho tido os piores pesadelos
da minha vida.
Acredito que um dia alguém te mostre que o amor, ainda que sem prazo
de validade, vale a pena. E vale a pena, também, insistir num erro ou em
outro. E que sim, a felicidade existe e está em coisas tão pequenas que
por essas e outras não a enxergamos. Que o fato de o dia passar mais
depressa não tem nenhuma relação com o relógio. Acredito que você vai
mudar mesmo tendo a teoria de que ninguém muda. Só não acredito em você
enquanto você não acreditar em si.
Talvez a gente tenha se esbarrado na hora errada e por isso não deu
em nada. E mesmo que tenha sido isso, mesmo que tenha sido nada, eu
realmente sinto... mas não vem ao caso.
Um beijo. Ou dois pra recordar. Ou nenhum e talvez deixar passar.