saudade mata!
Não deveria ter passado de uma noite. Não deveria ter sido
diferente dos outros. Eu não queria saber teu nome – que desde então não
se desfaz dos meus pensamentos. Eu não queria saber nada sobre você. Eu
não queria.
E do que adianta arrastar uma noite que não vai se repetir? Se já
sabemos que não vai ser a mesma coisa. Por que demônios nós insistimos
em algo que não existe? E mais uma vez, você vai tentar me convencer,
vai me dizer “por favor, acredite” e eu não consigo mais mentir. Mais
uma dose dessa asneira e é capaz de eu me matar. Mas entre nós dois,
prefiro você.
Eu detesto essa falsa liberdade, eu nasci pra voar, eu não quero tuas
verdades. Eu não acredito em ti, eu não acredito em ninguém. Minha fé é
diferente das outras pessoas. Tenho um mundo paralelo onde tudo é
perfeito. Onde ninguém entra, inclusive eu, já previamente sei que nunca
iria sair. E entre viver uma realidade que te espanca e uma fantasia
que te acarinha, fico com o sangue escorrendo, mas fico viva.
Por mais que doa, melhor assim. Chega dessa nossa cegueira, nós não
vamos sair do lugar. Ou pior, nós não pertencemos ao mesmo lugar. Eu
gosto de correr, eu não permaneço mais que uma semana no mesmo canto,
enquanto você está no mesmo há anos. Deve ter sido isso, sem querer, eu
invadi o teu canto. Eu tô de saída – eu nem devia ter entrado.
A questão é justamente essa, eu gosto do que não posso.
Mas conto com um tapa da realidade, um chute no estômago – invadido
pelas borboletas -, assim que elas voarem, entendo que não posso gostar
de ninguém mais do que eu gosto de mim. Então, um beijo, se cuida.
Como em todas as noites. Como em todas as loucuras.
E eu sei que essa dor não é só minha. Por isso escrevo.
E eu sei que eu devia ter desistido na primeira linha. Por isso ofereço.
Mais um texto, mais um drama, mais do que isso: nada.
A realidade espanca, a saudade mata.
Permaneço viva.
Acontece.