Molhando os pés
Mas por que é que nós, ao mesmo tempo em que fugimos do que não nos
fere, acabamos nos jogando, despidos de qualquer armadura, aos leões? A
resposta muda de tempos em tempos na minha cabeça. O que penso hoje e
aqui escrevo é que, por mais que a gente negue, a gente tem umas poucas
certezas. A gente TEM QUE TER essas certezas. Poucas e importantes
certezas.
O PASSADO É INSIGNIFICANTE. Sim, ele é o espelho da nossa história e
conta muito sobre o que somos. Mas o que eu sou depende muito mais do
que eu estou fazendo agora, do que das coisas que eu fiz. Nós temos o
poder de mudar, a qualquer momento da nossa existência, para melhor ou
para pior. A única coisa que importa é o futuro, que nada mais é do que
uma página em branco que a gente pode preencher com as tintas que bem
entendermos. Tirando das costas o fardo do passado, encontramos nos
nossos pés a leveza necessária para saltos no futuro, cada vez mais
altos, arriscados, excitantes e, sim, felizes. O presente nada mais é do
que o momento em que passado e futuro se beijam. Esse encontro de
lábios dura um tempo ínfimo, intangível, mas é suficiente para
transformar o agora em história. E como é a minha história? O que é que
eu quero ter pra contar?
E a gente pode
DEVE ser maior. Basta que a gente queira. E querer não é poder, como as
pessoas dizem por aí. QUERER É FAZER. E fazer não é nada fácil. Existem
momentos na vida em que a gente precisa ser mais forte do que acha que
pode, mais inteligente do que acha que é e mais nobre do que acha que
consegue. E como é que a gente consegue? Querendo. E quando a gente quer
demais uma coisa, a gente é capaz de feitos que a nossa mente nem
consegue conceber. A gente mata um leão por dia. A gente acaba
esquecendo das poças d’água, canalizando toda a nossa força para o
embate inevitável com os predadores que a vida coloca na nossa frente. E
são muitos.
Os sonhos são objetivos que a gente re-batiza desse jeito apenas para
que pareçam inatingíveis. E o nosso salto pode ser do tamanho que a
gente conseguir imaginar. Basta que a gente perca o medo de molhar os
pés.