até quando, até mais
Sem perguntas. Era essa a condição, e de fato não importa o teu
nome ou tua porta ou quem tu já prendeu nessa prisão. E o que estou
fazendo agora é jogar memórias fora, esvaziar, ultrapassar esse vão. Mas
antes de tudo, vamos relembrar o antes, parar por alguns instantes,
perceba como hoje estou falante e ao mesmo tempo hesitante. Abrir a boca
pra falar e deixar sair apenas o ar, a mistura dos nossos hálitos, era
teu cheiro, era teus passos, era eu me jogando nos teus braços. Foi só
hoje, ou ontem, ou nunca. É, o dia vem e nós precisamos acordar.
Nisso eu apresso o passo, continuo em círculos, dobrando a mesma
esquina pela terceira vez e tu continua na calçada, encostado no muro,
eu olho em teus olhos tentando descobrir aonde fica o teu mundo.
Desacelero e meu coração me contraria pulsando três vezes mais rápido,
quase que me escapa pela boca, agradeço as buzinas que tiraram a minha
atenção. Voltei a andar. Porém era preciso correr, até não aguentar, até
nunca mais te ver. Evitei tanto um “até mais” que agora não tem
mais “mais”, foi por isso que sobrou.
E se for bater na minha porta que seja pra me abraçar e não me
largar, viver um sonho lindo e esquecer de acordar. Vontade de ficar na
ponta dos pés pra poder te alcançar, cair meu corpo pra trás e saber que
vai me segurar. Enquanto isso eu me jogo no vácuo, a ponta dos seus
dedos foram substituídas pela brisa que desenha o meu rosto, são nessas
horas que eu esqueço dos restos e junto tudo nem que seja por um
segundo.
Até o céu brincou com a minha cara ao mostrar que as nuvens também vão embora.