Turistas

A gente joga conversa fora por não ter coragem de jogar outras coisas. Suponho que eu já tenha te dito isso, pois se eu não disse, gostaria. Na verdade, eu gostaria de ter te dito muitas coisas, eu tinha todas as falas decoradas. Todas as vezes que eu cheguei, eu não disse nada. Absolutamente nada. Mas minha expressão te contava e quando havia a falta dela, te enganava. Você a quer porque não sabe ficar só, você não a quer porque isso tudo não passa de um grande nó. Ninguém pode desatar, você tem o controle em suas mãos.
E do que adianta zapear o canal se a tua mente é quem te controla? Do que adianta fingir que está legal se é com outras coisas que você se importa? Continuamos a escrever pra quem não vai ler, os outros vão dizer que o remetente é óbvio e isso me assusta. Tenho medo de que seja eu, tenho mais medo ainda de que não seja e assim eu me veja numa história do qual eu nunca participei. Até então uma figurante, de pensamentos confusos, mas sempre falante.

Fala, fala, fala, mas não conta nada. Sempre deixou  tudo pra si. Nisso, chamavam-na de louca e de tão frequente ela aceitou esse papel.  Eu não me dou bem em nada muito escuro ou muito claro, se está escuro eu não vejo, se está claro eu não entendo. Está claro pra você? Até que eu gosto das dúvidas, até que eu gosto de questionar, tudo pra sentir o gosto de que eu estava certa quando eu deixei estar.
 
Era noite porque eu não aguentava a luz do dia. O problema da luz é que quanto mais a tem, menos enxergo. A tua luz é a minha escuridão. Quanto mais fecho os olhos, mais abro o coração. Reluto contra mim, preciso de um café. Preciso de algo forte, quente, que queime a minha língua e me desconcentre.
Não faço parte desse mundo, não faço parte dessa cidade. Inteiro nos partimos em busca da outra metade, mal sabemos que é essa busca que é o que realmente nos parte.

O problema de eu não ter um mapa é o risco que corro de me perder no meio do caminho.

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