Terminus
Prometo que só estou de passagem e que a minha próxima viagem já
está marcada. Já estou acostumada com esse faz-e-desfaz de malas, a
correria dos aeroportos e os hotéis não conservados. Estou acostumada a
não ter guia e seguir pra onde bem eu quero.
Ao mesmo tempo, eu não passo mais de um mês no mesmo lugar. A rotina
me incomoda, o previsível não me atrai. E pela primeira vez encontrei um
destino que me fez ficar mais. Pensei até em procurar um mapa, mas isso
ainda é estranho pra mim.
Caminhei por trilhas sem asfalto, eu não falava a língua local. Era
só mais uma turista que não se satisfazia com metades. Na praias nunca
molhava os pés. Ou ficava na areia, ou mergulhava. Por mais fundo que
fosse, por mais revolto que aparentasse.
A turbulência de um avião, o cansaço da estrada e a tontura dos
mares. Eu tinha de tudo um pouco. Inclusive, tinha vontade de ficar. Mas
não, preferi deixar um pouco de mim e voltar pra casa.
A bagunça só é perceptível quando o furacão vai embora. Estava tudo
fora do lugar e eu não tinha ideia de onde eu podia começar. Esse é o
mal dos aventureiros, sempre se satisfazem até mesmo com o caos.
Percebi que eu não conseguiria viajar pra outro lugar sem associar ao
lugar em que eu estava. Os que fazem parte do meu barco, precisam de
férias ao contrário. O tempo livre é pra viver o que os outros chamam de
rotina, enquanto os outros passam seu tempo livre viajando.
Feito o desencontro, feito o desencanto. Ainda não me achei nessa bagunça.