Sobre a tatuagem, agora você já sabe
Quando eu me lembro dói, e pode ser que não faça
o menor sentido pra você, pra mim também não faz, mas foi assim que aconteceu,
eu era muito nova, nova demais pra perder alguém, nova demais pra entender
os sentimentos e aprender a continuar. Marquei meu corpo para não esquecer, não
quero esquecer...
Quando ele saiu da luz do sol e afundou na
ribanceira, quando vi o cabelo louro avermelhado sumindo... Esse foi o fim do
momento. Ele se fora. Estava acabado. Terminado. Feito. Sei disso agora e soube
na época. Mesmo quando chorei e gritei e me atirei naquela ponte - eu soube.
Mesmo quando meu primo pulou e me arrastou, para longe - eu soube. Acabara. Eu
soube, no fundo do meu coração.
Este foi meu fim. Mas o resto continuou. O
mundo ainda girava.
Não tenho nenhuma lembrança consciente do que
aconteceu logo em seguida, Posso me lembrar de vagamente de ser levada de volta
para casa, esperneando e gemendo, gritando para o céu, batendo no Josh,
xingando-o, xingando o mundo.... e posso me lembrar da sensação da chuva fria
caindo em meu rosto, misturando-se com a lama e as lágrimas. Eu não estava ali. Estava desincorporada, sem
espírito, perdida no inferno. Minha mente consciente tinha se espatifado em um
milhão de pedaços.
Eu estava quente, fria,cansada. Estava doente.
Perturbada. Meu corpo lutava contra mim. Às vezes eu não, conseguia parar de me
mexer; retorcendo-me, girando, arrastando-me; enrolando-me em lençóis molhados
de suor, chorando, chorando, chorando... Por muitos dias eu me abraçava forte, me segurava, porque eu tinha a impressão de que se eu me soltasse eu me espatifaria em mil pedaços pelo chão.Não sei o que foi isso. Não tinha sentido.
É isso que acontece. O amor e o odio andando juntos, dentro de mim, na pele, na memoria.
A gente só precisa acostumar.
Não existe um fim.