Sobre o medo de telefone

Eu tenho medo de telefone. Pra falar a verdade, eu tenho pavor de telefone. Não que o aparelho me deixe assustada; eu tenho medo é de falar. Eu tenho tanto medo, que não gosto de receber ligação.
Eu não tenho conta, não atendo o telefone de casa, mando dizer que não to. Eu não falo direito nem com meus pais.

Não consigo explicar quando isso começou, nem o porquê.
As vezes eu não consigo ligar, eu não consigo atender. E, provavelmente, eu nunca mais ligarei pra ninguém, já que minhas, poucas, tentativas foram frustradas. 
 
Eu e o telefone:
- Aceleração da frequência cardíaca ou sensação de batimento desconfortável;
- Sudorese difusa ou localizada (mãos ou pés);
- Tremores finos nas mãos ou extremidades ou difusos em todo o corpo;
- Sensação de sufocação ou dificuldade de respirar;
- Sensação de desmaio iminente;
- Dor ou desconforto no peito (o me leva a acreditar que estou tendo um ataque cardíaco);
- Náusea ou desconforto abdominal;
- Tonteiras, instabilidade sensação de estar com a cabeça leve, ou vazia;
- Despersonalização ou desrezalização;
- Medo de enlouquecer ou de perder o controle de si mesmo;
- Alterações das sensações táteis como sensação de dormências ou formigamento pelo corpo;
- Enrubescimento ou ondas de calor, calafrios pelo corpo;
- Medo de morrer

O fato é que ao telefone, sentindo tudo isso, eu perdi algo. Perdi, e digo: sei aonde perdi – e não tenho coragem de voltar pra buscar. É que eu perdi; aí, ganhei de novo. Mas perdi, mais uma vez. Eu perdi duas vezes, no mesmo lugar. Toda confusa!

Eu perdi a razão, perdi a vergonha, perdi o sono, perdi meu isqueiro, perdi minha coragem.
Perdi minha coragem, merda.