sabe do que eu gosto?

Gosto de quem sabe onde se meteu. Sem perguntas óbvias, desvenda as minhas sombras e entornos. Entre tantas opções, me escolhe. Gosto de quem quer mesmo ficar com quem demorou a encontrar – não tem mais volta, não tem mais fuga. Entre tantos desencontros, um choque de fascínio. Que fica, que pulsa. E instiga. Gosto de quem quer ser tudo, e não mero resto ou fugaz relâmpago. Gosto dos doces de espírito, capazes de contagiar sem esforço. São pura leveza, destemor infantil. Dos que olham e vêem, em vez de desviar os olhos – tão mais fácil. Dos que me puxam sem saber as lágrimas ao olhar para o céu. Dos que mal fazem idéia do poder que têm sobre mim e habitam meus sonhos inconfessáveis. Ferinos mansos. Gosto dos que percebem verão no inverno e atravessam as estações comigo. Dos que planejam viagens e transformam para sempre as memórias de uma cidade no meu coração – há tanto tempo isso não acontece

Não encontro quando encontro, impreterivelmente, é um erro, um ilusão, perca de tempo. Falecendo tão logo, indo para longe, sempre uma despedida.....

Despedida provisória ou adeus iminente? Não alcanço teu coração, não aparto tuas dores. Me resguardo nas reticências, melhor assim. Das contradições, ficaram sorrisos. Das palavras duras, as doces. Dos erros, apenas as madrugadas entrelaçados. Estremece mas permanece, sabe como? Faz bagunça por dentro – e ando sem vontade de catalogar sentimentos e arquivar memórias. Às vezes a imensidão da saudade pesa. E traz junto aquela falta doída da pele.  As individualidades abissais não mais me interessam – quero alguém com espaço por dentro. Sabe o aparentemente aleatório? Não existe. Vem com força porque tem que vir. 

Fica?

Postagens mais visitadas