Bem me quer, mal me quer


Bem me quer ou mal me quer: importa que queira. O que chega de repente, despudoradamente sorrateiro. De mansinho ou a galope, me interessa. O que não pede licença, invade de impulso. Com boas ou más intenções, me desperta. O que acha que manda, cheio de ordens. Quase obedeço – e me instiga. O que não tem pudores, escancaradamente prazer. Desnuda com os olhos, veste com a boca – e me enlouquece. O que traz desassossego, puro atordôo.

Das insinuações ficam os sorrisinhos indecentes; dos disparates, o arrepio safado da adrenalina. É essa boca maldita, o riso cretino, o pescoço severo, o charme contido. Diz e não diz, vem e vai. Some e volta. Fica olhando de fora, pensando se toca ou não toca. Pega à força. Sem pausa pra respirar. É o jeito.

Prefiro os que são tão fortes quanto eu, embora raríssimos. Nunca quis gelar os começos ou tornar agradáveis os desesperos internos. Mas acontece. Invente qualquer desculpa. Ou me enfrente com verdades – tenha peito, por favor.

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