sem titulo, porque eu quero.
Cada pessoa lida com os acontecimentos do seu jeito. Isso me fascina.
Isso me assusta, também. Tem gente que é de guerra, gente de paz, e
ainda há aqueles que preferem manter-se alheios a tudo que se passa ao
seu redor.
Certo dia olhei para os meus pés e vi que não mais havia âncoras
presas aos meus tornozelos. Noutro dia estava em outro mar, depois em
outro, em outro… me acostumei a apenas assistir de longe a segurança da
terra firme. Ela já não me atrai mais. Seria essa, a vida que eu sempre
procurei? Aí é que reside o cerne da questão. A vida que eu sempre
procurei é, justamente, viver procurando. É eternamente cavar fundo até
encontrar, em peito alheio, um coração parecido com meu.
Tenho desistido da ideia de eterna felicidade. Desisti. Os momentos que a
gente chama de bons momentos só são chamados assim porque existem
também aqueles que queremos esquecer. Bons momentos são bombas de
endorfina que amolecem os espinhos que nos insistem em perfurar as
partes onde nossa pele é mais fina. E essas partes são muitas,
principalmente quando estamos despidos de armadura (sempre?). Tendo isso
em mente, faço o que está ao meu alcance para que esses momentos sejam
numerosos, visto que eles jamais são duradouros. Endorfina vicia.