Eu e os livros
Em algum determinado grau, somos meros neurônios de um corpo imensamente
maior, esperando por uma faísca que nos conecte. Afirmo que estamos
sempre, mesmo que imperceptivelmente, procurando conexões. É instintivo
dividir sensações, compartilhar momentos, comungar histórias com outras
pessoas. O único período em que sentimos dor é o momento em que estamos
no vácuo de uma transição de histórias. A última página do capítulo
parece pesar uma tonelada, às vezes, mas ela precisa ser virada a
qualquer custo, e um outro par de mãos pode ajudar nessa tarefa. Uma vez
novamente ligados, a dor se dissipa como a fumaça que esconde as
ferragens do acidente. Estamos respirando, e evoluindo.
A gente sai de cena com as roupas rasgadas, bolsos vazios e a mente
confusa, sem saber como fomos parar ali. Mas e se pudéssemos jogar todos
os livros fora e carregar conosco apenas a página do agora?
Só lembro do rosto através do vidro quebrado. Esquecer? Não consigo.
Repensar? Não quero. Reviver? Não aguento. Roteiro pros próximos
capítulos? Não tenho.