Lá no quintal
Eu já fui pequena, voce me entendeu, porque na estatura ainda sou.
Lembro que minha mãe comprou protetores para as quinas da mesa da sala de jantar e demais movéis para que eu não batesse com a cabeça nelas. Lembro de visitar lugares que hoje me parecem normais e sentir-me ameaçado pela vastidão deles. Traçava linhas imaginárias que, uma vez transpostas, me colocariam ante o misterioso e convidativo território desconhecido, e em minha mente era um novo mundo. Dava medo, ao mesmo tempo em que era impossível resistir aos encantos dessa jornada exploratória. A gente nem sabia o que queria – às vezes, até mesmo inventávamos motivos para avançar – mas sempre estávamos na caça ao tesouro, na floresta perdida.
Os lugares que eu visitei durante a infância hoje chegam a parecer claustrofóbicos, em novas visitas. Eu cresci. As quinas não estão mais protegidas, muito menos está a minha cabeça, que trafega na velocidade do pensamento pelos mais sinuosos caminhos. Mas o conforto das linhas imaginárias, associado à inércia causada pelo medo do desconhecido, faz a gente parar de procurar. Medo de bater, a gente tem. Bater, ás vezes, a gente bate, inclusive. No entanto, os anos passam e pouca coisa muda, além de umas espinhas perdidas no rosto e uma falsa voz confiante que tenta denotar maturidade. É um choro ligeiro, um curativo e, após isso, apenas mais um lugar pra gente tomar cuidado da próxima vez.
A gente precisa trafegar no território desconhecido pra aprender que ele é tão previsível quanto o quintal de casa. A única certeza que a gente tem que ter é a de que a próxima esquina pode guardar, SIM, aquilo que a gente mais procura. E, amigos, aquilo que a gente mais procura jamais está em nosso quintal. Das duas, uma: ou está na rua, ou no quintal de outro alguém, normalmente no quintal de outro alguém. Então a gente corre, entra sem bater, por vezes até invade propriedade alheia, na busca daquilo que a gente nem tem muita certeza do que é, mas sente aquela necessidade, pura urgência. Só não podemos esquecer de que as quinas estão lá.
Na época eu não sabia, mas descofiava: um dia eu seria maior do que as paredes do quintal de casa.
E foi bem longe dele que eu encontrei o que procurava. Será?
Lembro que minha mãe comprou protetores para as quinas da mesa da sala de jantar e demais movéis para que eu não batesse com a cabeça nelas. Lembro de visitar lugares que hoje me parecem normais e sentir-me ameaçado pela vastidão deles. Traçava linhas imaginárias que, uma vez transpostas, me colocariam ante o misterioso e convidativo território desconhecido, e em minha mente era um novo mundo. Dava medo, ao mesmo tempo em que era impossível resistir aos encantos dessa jornada exploratória. A gente nem sabia o que queria – às vezes, até mesmo inventávamos motivos para avançar – mas sempre estávamos na caça ao tesouro, na floresta perdida.
Os lugares que eu visitei durante a infância hoje chegam a parecer claustrofóbicos, em novas visitas. Eu cresci. As quinas não estão mais protegidas, muito menos está a minha cabeça, que trafega na velocidade do pensamento pelos mais sinuosos caminhos. Mas o conforto das linhas imaginárias, associado à inércia causada pelo medo do desconhecido, faz a gente parar de procurar. Medo de bater, a gente tem. Bater, ás vezes, a gente bate, inclusive. No entanto, os anos passam e pouca coisa muda, além de umas espinhas perdidas no rosto e uma falsa voz confiante que tenta denotar maturidade. É um choro ligeiro, um curativo e, após isso, apenas mais um lugar pra gente tomar cuidado da próxima vez.
A gente precisa trafegar no território desconhecido pra aprender que ele é tão previsível quanto o quintal de casa. A única certeza que a gente tem que ter é a de que a próxima esquina pode guardar, SIM, aquilo que a gente mais procura. E, amigos, aquilo que a gente mais procura jamais está em nosso quintal. Das duas, uma: ou está na rua, ou no quintal de outro alguém, normalmente no quintal de outro alguém. Então a gente corre, entra sem bater, por vezes até invade propriedade alheia, na busca daquilo que a gente nem tem muita certeza do que é, mas sente aquela necessidade, pura urgência. Só não podemos esquecer de que as quinas estão lá.
Na época eu não sabia, mas descofiava: um dia eu seria maior do que as paredes do quintal de casa.
E foi bem longe dele que eu encontrei o que procurava. Será?