O som da realidade
Tinha um barulho dentro da minha cabeça, começou
quando você chegou. Você deveria estar aqui para fazer algum sentido, juro, você
deveria ouvir, faríamos um sinfonia. Doce. Dura. Forte. Poderosa. Alguém
deveria ouvir.
Mais doce que o céu. Mais quente que o inferno.
Maior que o infinito. Corro, dançando de uma maneira que ninguém entenderia se
pudessem ver. Uma tentativa de fazer os ecos irem embora, clarear minha cabeça.
Tão alta me derruba no chão. Sinos. Sirenes. Mas aquele tambor continua batendo
alto e claro. Mergulho fundo, esperando que a água gelada lave os ruídos, afogue o som. Até que não haja nada mais dentro da minha alma, tão vazia quanto
a batida seca. Mas o som apenas começou.
Você não esta aqui, mas a bateria continua forte,
mais alta. A necessidade. O som da realidade, minha nova realidade, você
deveria estar aqui! Cada vez mais alto, alto. Já não estou mais aqui, existe
uma realidade paralela, maior que o céu, acima de todo universo. Caminho em
direção a realidade. Eu posso ouvir essa batida. Ela enche a minha cabeça. E
fica mais alta e mais alta.
Quero ouvir isso. Mais alto. Olhando de baixo
para cima, não existem reflexos, nada além desse barulho. Embora a pressão seja
difícil de aguentar, é o único jeito de escapar. Parece uma escolha difícil de
se fazer. Agora estou abaixo de tudo, acima de tudo. Atemporal. O peso do paraíso,
para uma pecadora como eu, liberta!
Não que eu não sinta dor. Apenas não tenho mais medo
de me machucar. Mas não estou desistindo. Apenas estou me entregando.