Confessionário

Sabe se lá o que habita a minha escuridão, os meus piores dias, meu ódio e tudo o que não parece ser certo. Sem luzes, apenas aqueles olhos brilhantes, bem ali parados na minha frente, quem diria a luz é realmente violenta. É uma revelação, daquelas que muda tudo em você. Eu queria tudo, deixar aquilo me inundar. Era uma conversa que eu não queria ter, certamente não essa noite, e nenhuma outra. Me diga o que fazer?!

Sentei, chorei, borrei toda maquiagem, e saiu tudo, o bom o ruim, o riso, o choro, os gritos, a raiva, o ódio. Chorei, lavei a alma.

- Já roubei uvas no mercado, tão doces, diferente da minha natureza amarga. Bati tanto em uma pessoa que quebrei dois dedos, e pobre menina ficou em coma. Usei drogas, tanto quanto meu corpo aguentaria, tive overdose, bebi até entrar coma alcoólico. Arrumei brigas, me ferrei, me dei bem. Traí amigos. Fui violentada fisicamente, psicologicamente. Nunca aprendi a usar ponto final ou virgula, nem na gramática nem na vida. Menti, muito para mim e para os outros. Já roubei dinheiro do meu pai, levei um tapa na cara. Armas são pesadas, o tranco do tiro machuca os despreparados. Desejei a morte de toda a humanidade, me incluindo. Cortei os pulsos só pra me sentir viva e ver o sangue escorrer. A ignorância foi minha melhor amiga.

Havia milhares de outras faces em mim, não pude escolher o que deixar para trás. Eu estava desaparecendo, presa entre céu e o inferno. Start all over again. Deus me ajude, eu preciso fazer isso certo!
Você continuaria comigo, mesmo sabendo quem eu fui, minhas futilidades, dificuldades, sabendo quem eu sou, olharia par a multidão e diria S-I-M? É fácil dizer para a multidão, difícil para o coração.

Me diga o que fazer!
Fale tudo o que está preso em você!
 
 

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